Um sisteminha simples http://andrenoel.blogosfera.uol.com.br Quem é de TI sempre recebe pedidos para criar "só um sisteminha simples". A gente sabe que nunca é simples. Por isso, aqui no blog vamos falar sobre o grande universo de TI --que às vezes é engraçado, às vezes é sofrido e muitas vezes é tudo isso. Sat, 08 Aug 2020 07:00:06 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Quantas vezes você já surtou nessa quarentena? http://andrenoel.blogosfera.uol.com.br/2020/08/08/quantas-vezes-voce-ja-surtou-nessa-quarentena/ http://andrenoel.blogosfera.uol.com.br/2020/08/08/quantas-vezes-voce-ja-surtou-nessa-quarentena/#respond Sat, 08 Aug 2020 07:00:06 +0000 http://andrenoel.blogosfera.uol.com.br/?p=383

Freepik.

Essa semana eu desabafei o seguinte, no twitter:

Pelos meus posts anteriores aqui, quem me lê sabe que eu gosto de ficar em casa e gosto de trabalhar de casa. Para mim, a quarentena é puxada, mas não achei que seria tão desafiadora. Eu já contava com uma baixa na produtividade, mas uma imagem que vi logo no começo da quarentena me ajudou a introjetar uma noção de não me cobrar tanto nisso. Não sei o autor da foto, mas traduzi em uma tradução livre:

Ver essa foto no Instagram

 

“Você só é improdutivo pelos padrões do mundo em que vivemos dois meses atrás. Aquele mundo não existe mais”

Uma publicação compartilhada por Andre Noel (@programadorreal) em

No fim das contas, boa parte da demanda aumentou. As aulas, que já eram a distância, passaram a ser totalmente produzidas em casa (preparação, gravação, edição, publicação, lives); a produção de conteúdo no Vida de Programador começou até que bem, mas acabou ficando comprometida. Mas o que aumentou bastante foram as demandas de casa.

Quando as pessoas (inclusive eu) falam “fique em casa”, nem sempre a gente percebe que implícito a isso também está um “cuide da casa”, ela tende a virar um caos muito mais rápido quando todos estão dentro dela o tempo todo. Além disso, está subentendido também um “cuide das pessoas da casa”, principalmente daqueles modelos menorzinhos ou dos mais experientes.

Estamos completando 141 dias confinados. Não sei quanto tempo ficam os participantes de um Big Brother, mas estamos sempre aqui fazendo a prova da resistência. Não fiquei esses 141 dias sem sair de casa, até porque não pude. Tive que resolver algumas coisas fora e também estamos fazendo uma quarentena em duas casas ao mesmo tempo, dando suporte para a minha sogra no que ela precisa.

Resumindo, estamos (eu e minha esposa) passando a maior parte do tempo confinados com mais quatro crianças, uma idosa, uma adolescente e seis cachorros. Sim, o tempo todo tem demanda por todos os lados. Além disso, eu e minha esposa seguimos trabalhando de forma remota e dando conta de gravações, edições, fraldas, choros e comida (comida o tempo todo também (e não só eu)).

Mas estamos sobrevivendo bem! Apesar de alguns surtos (acho que todo mundo aqui já surtou vez ou outra), apesar de dormir ainda menos que o normal, estamos conseguindo levar e produzir, mas não da mesma forma. Nos últimos tempos reduzi as tirinhas e os vídeos, por outro lado consegui finalmente começar o podcast que vinha planejando há muito tempo e também tenho feito lives no YouTube semanalmente. Além disso, pude participar, palestrar e até organizar eventos online; até mesmo ministrei duas palestras em inglês, coisa que eu nunca tinha feito na vida.

Então, de loucura em loucura, de surto em surto, estamos conseguindo ao máximo ficar em casa, estamos fazendo todo esforço para nos cuidar e também para não virarmos um pequeno foco para os outros. A vacina está cada vez mais próxima, a esperança de melhorar está aumentando, falta cada vez menos tempo. Se segure o máximo que puder também, porque a situação pede. No final do confinamento, o prêmio vai ser muito melhor do que o de reality shows.

Continue em casa, se puder. 🙂

* Aos que não podem ficar em casa, aos que estão na linha de frente nas áreas de saúde, àqueles que preparam os alimentos ou nos ajudam em comércio que precisamos, meu infinito agradecimento a vocês. Quem pode ficar em casa, fique, porque também é uma forma de proteger quem precisa estar fora, diminuindo o contágio para quem está mais em contato com os outros. Logo vai passar. 🙂

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Ignorar prevenção contra vírus é novidade? Pergunte isso aos programadores http://andrenoel.blogosfera.uol.com.br/2020/07/18/ignorar-prevencao-contra-virus-e-novidade-pergunte-isso-aos-programadores/ http://andrenoel.blogosfera.uol.com.br/2020/07/18/ignorar-prevencao-contra-virus-e-novidade-pergunte-isso-aos-programadores/#respond Sat, 18 Jul 2020 07:00:31 +0000 http://andrenoel.blogosfera.uol.com.br/?p=376

Vida de Programador

“Essa quarentena não vai acabar nunca mais?” Você pode se perguntar isso ou deve ter ouvido alguém se perguntar…

Bom, nosso maior problema, no momento, não é a quarentena, mas sim um vírus que está matando muita gente.

O engraçado (para não dizer “absurdo”, “irritante” ou “indignante”) é que há planos para se prevenir e diminuir a velocidade de contágio, mas as pessoas decidem deliberadamente não fazer parte (não estou falando de pessoas que precisam ou que trabalham em serviços essenciais, a esses toda nossa gratidão).

Digamos que o problema na contenção do vírus é um problema muito recorrente em programação…

… erro humano!

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Da organização à palestra, como é a dinâmica da era dos eventos online http://andrenoel.blogosfera.uol.com.br/2020/07/11/da-organizacao-a-palestra-como-e-a-dinamica-da-era-dos-eventos-online/ http://andrenoel.blogosfera.uol.com.br/2020/07/11/da-organizacao-a-palestra-como-e-a-dinamica-da-era-dos-eventos-online/#respond Sat, 11 Jul 2020 07:04:38 +0000 http://andrenoel.blogosfera.uol.com.br/?p=369

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Eu já escrevi aqui uma vez sobre como gosto de eventos (congressos, conferências, seminários, etc.) e como isso ajuda em vários pontos da carreira.

Os eventos muitas vezes servem como terapia. Você precisa separar uns dois ou três dias, dependendo do deslocamento, você se enrola um pouco no trabalho, acumula tarefas para resolver depois, mas vale muito o esforço. A mudança de ares, encontrar as pessoas, ter contato com outras realidades e ver muito bom conhecimento transmitido dá uma energia, como se fossem mini férias, mesmo que você ainda volte cansado porque não parou um minuto no evento…

Mas e agora que os eventos presenciais se tornaram online? O que aconteceu com eles? Ainda valem a pena?

Bom, eu posso passar três pontos de vistas diferentes: um como quem gosta muito de ir e participar, outro como quem foi convidado a palestrar em evento online esse ano e ainda uma visão de quem está organizando um evento.

Participação em eventos online

Dos benefícios que eu listei acima na participação de eventos, parece que o único que se mantém é o compartilhamento de conhecimento, não? As palestras continuam, os eventos fazem o possível para manter palestras com a mesma qualidade e disponível de forma clara. Mas não é só isso.

O evento online “herda” algumas boas vantagens só pelo fato de ser online. Primeiro, você consegue participar de eventos que não poderia por acontecerem muito longe, por não ter liberação para viajar no trabalho, por falta de grana pras despesas… Então, o evento online se torna mais universal. Você abre uma tela e pode acompanhar enquanto faz o seu café no conforto da sua casa, enquanto está trabalhando você ainda pode acompanhar, pode escolher o ambiente melhor para isso. Pode ter um pouco menos de atenção, mas isso é possível de ajustar.

Em relação ao networking é diferente, mas ele ainda existe. Alguns eventos usam plataformas que permitem um chat entre os participantes durante a palestra. Até mesmo com o palestrante é possível falar e fazer perguntas durante a palestra, coisa que não seria feita em palestras presenciais. O palestrante administra se vai acompanhar as perguntas ou deixar para o final. E ainda tem eventos usando plataformas como o meet ou o zoom, permitindo muitas pessoas conectadas com a possibilidade de voz e vídeo, criando uma forma interessante de interação entre todos.

Então, você acaba adaptando sua experiência, mas fica até mais fácil de participar dos eventos.

Palestrando em eventos online

Desde que a pandemia iniciou, eu já fiz palestras e encontros online e a experiência é bem interessante. O primeiro onde palestrei nesse tempo foi no TDC Online (The Developers Conference) e eles proporcionam uma experiência incrível. Tem a área de palestrantes, tem chat durante a palestra, sessão de perguntas à parte após a palestra. É uma sensação diferente você preparar a sua casa, o seu “palco” para uma transmissão boa, mas tive a vantagem de já ter experiências gravando para o youtube e ministrando aulas online.

Confesso que sinto falta da reação da plateia durante a palestra, mas que a reação por chat também é muito boa e eu acho interessante a interação com quem está assistindo. Realmente, cada palestra se torna uma palestra única, porque a interação de quem está no chat muitas vezes conduz a palestra por caminhos ainda mais interessantes.

Além disso, em eventos ao vivo nos contentamos com expressões, suspiros e risos para “sentir” a opinião e o acompanhamento da plateia. Em palestras online são muitas opiniões que vêm através do chat, que podem inclusive serem analisadas depois, com mais cuidado. Você não costuma ter tanto retorno de ideias assim em eventos presenciais. Ontem mesmo palestrei na Campus Party Digital Edition, a convite do TILT, e foi uma experiência fantástica.

A organização de eventos online

Há dois anos estamos organizando eventos regionais, eventos pequenos, aqui em nossa região (Maringá-Pr) e a intenção sempre foi a de crescer, mas por aqui. Começamos com apenas um dia e uma trilha de PHP, no PHP Weekend by Vida de Programador. Depois, no ano seguinte, adicionamos a trilha “Digital Weekend”, ainda num dia só. Nesse ano tornamos o evento online, como está acontecendo com a maioria dos eventos presenciais. O que aconteceu é que instantaneamente ele passou de um evento regional para um evento que pode ser acessado por qualquer ponto do universo (desde que haja conexão de internet).

Com isso, a própria ideia do evento cresceu, a possibilidade de trazer palestrantes aumentou bastante, porque havia problemas de agenda e de caixa para pagar as despesas. As despesas do evento todo ainda existem, mas diminuíram. Assim, o evento esse ano passou a ter dois dias, 20 palestrantes e a inscrição pode baixar também, para ficar praticamente simbólica (cobrindo despesas de organização, mimos para os palestrantes, etc.). E assim o evento virou “Vida de Programador Weekend“, com vários temas diferentes e vai acontecer na semana que vem, nos dias 17 e 18 de julho.

Organizar eventos online facilita que muito pode ser feito diretamente online, menos saídas para resolver problemas e estruturas, mas gera várias outras preocupações: qualidade de conexão para assistir, qualidade de conexão para transmitir, quantas pessoas a plataforma aguenta ao mesmo tempo, como manter o pessoal com a gente durante o evento, como fazer as dinâmicas de “trocas de palco”, etc. Acho que o frio na barriga só vai acabar depois que passar o evento e já deve voltar pensando na próxima edição 🙂

Mas e depois da pandemia?

Bom, ninguém sabe exatamente as surpresas do futuro, mas tenho a certeza de que as duas formas de eventos têm suas vantagens e desvantagens e que os dois devem coexistir com mais força depois que tudo estiver mais tranquilo. A experiência de eventos presenciais é única, tem alguns fatores que não dá pra substituir. Assim como a universalização e a comodidade de eventos online são imbatíveis. Acredito que vão surgir também mais modelos híbridos, como o TDC costuma fazer, presencial e online ao mesmo tempo.

No mais, espero que possamos nos ver no evento semana que vem e continuem se cuidando! 🙂

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Na quarentena, até as viagens no tempo são algo bem relativo http://andrenoel.blogosfera.uol.com.br/2020/07/05/na-quarentena-ate-as-viagens-no-tempo-sao-algo-bem-relativo/ http://andrenoel.blogosfera.uol.com.br/2020/07/05/na-quarentena-ate-as-viagens-no-tempo-sao-algo-bem-relativo/#respond Sun, 05 Jul 2020 07:00:42 +0000 http://andrenoel.blogosfera.uol.com.br/?p=362

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Estamos já há um bom tempo vivendo em exceção após exceção, nada mais é normal e não sabemos mais como será o futuro. Tem muitos textos a respeito do “novo normal” (inclusive aqui no blog), mas ninguém sabe exatamente o que vem pela frente. Não seria bom ter uma visita vindo do futuro pra dar dicas ou para dizer que tudo vai ficar bem?

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Lá e de volta outra vez: quarentena exagera ao recuperar passado recente http://andrenoel.blogosfera.uol.com.br/2020/06/20/la-e-de-volta-outra-vez-quarentena-exagera-ao-recuperar-passado-recente/ http://andrenoel.blogosfera.uol.com.br/2020/06/20/la-e-de-volta-outra-vez-quarentena-exagera-ao-recuperar-passado-recente/#respond Sat, 20 Jun 2020 07:04:16 +0000 http://andrenoel.blogosfera.uol.com.br/?p=355

Freepik (adaptado)

Lembra do livro escrito pelo Bilbo Baggings, contando suas aventuras? Se chamava “Lá e de volta outra vez”.

Estamos revisitando nosso passado todos os dias. Coisas boas e coisas ruins que insistem em voltar.

Um possível motivo para isso está na tirinha abaixo.

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Temos tecnologia na quarentena, mas ainda falta entender o coletivo http://andrenoel.blogosfera.uol.com.br/2020/06/13/cansou-de-so-ouvir-sobre-a-quarentena-pois-o-problema-esta-longe-de-acabar/ http://andrenoel.blogosfera.uol.com.br/2020/06/13/cansou-de-so-ouvir-sobre-a-quarentena-pois-o-problema-esta-longe-de-acabar/#respond Sat, 13 Jun 2020 07:00:09 +0000 http://andrenoel.blogosfera.uol.com.br/?p=347

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Eu já cansei de falar sobre a quarentena. Hoje estou no meu 85º dia de quarentena. Já falei, só aqui no blog, sobre dicas de home office, sobre a diferença de home office comum com o que estamos vivendo hoje, sobre como a tecnologia tem nos permitido ficar em casa e ainda manter os trabalhos ativos, sobre o excesso de atividades imposto na quarentena, sobre o aumento da dependência da tecnologia e até fiz especulações sobre o “novo normal“.

“Eeeeba, então hoje o texto vai ser sobre outra coisa??”

Hmmm… É… Infelizmente, não…

Mais do que cansado de falar sobre, estou cansado da própria quarentena, de ouvir a respeito e, principalmente, de ver que estamos em uma “quarentena para coronavirus ver” (não ia fazer muito sentido dizer que é “para inglês ver”).

Acho que não consigo ficar sem falar também porque estou vivendo muito isso dia a dia. Eu fico em casa o máximo que posso, lavo as mãos e as compras do mercado (levo umas duas horas para higienizar tudo) e eu mesmo estou bem hipocondríaco com as minhas comorbidades (e sem ter um histórico de atleta).

Nossa situação como sociedade é muito diferente da pandemia anterior, no início do século 20. Já vimos que temos tecnologia o suficiente para reduzir os impactos, para diminuir o contágio protegendo tanto o profissional que tem que estar em casa quanto aquele que está na rua. O que nos falta é algo muito mais difícil de conseguir do que a tecnologia, que eu não sei se consigo explicar de forma clara e direta, então vou aproveitar um meme:

Reprodução: Internet. Conselhos do He-Man.

É mais fácil se preocupar com o sinal de wi-fi do que se preocupar com quem está ao lado precisando de oxigênio (isso sem falar que nós mesmos precisamos). A maior dificuldade nossa é entender o coletivo, pensar em todos, pensar em como agir pelo bem de todos. Se pelo menos houvesse um app que a gente pudesse baixar para resolver.

Temos muitas prioridades estranhas na vida. Antes da quarentena tínhamos uma ansiedade por ter o smartphone mais recente ou por usar os frameworks “do momento”, na quarentena temos novas prioridades estranhas, como cortar o cabelo, ir para a academia (que nunca vamos), interagir com pessoas (que nem gostamos), tomar sol (que nunca tomamos, porque somos programadores). Ah, se as pessoas ao nosso redor produzissem wi-fi, será que manteríamos um isolamento social decente? Em pleno aumento de número de casos estamos voltando para as ruas, não faz sentido para a minha cabeça treinada em aulas de lógica de programação.

A vida é importante. A sua, a minha, de todos. Não vire mais um número na contagem, não se trate como um número e não trate os outros assim. Estamos longe de passar o problema em nosso país. Ainda que seja muito chato, vamos nos esforçar mais.

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Seu preconceito não interfere no código-fonte do programa que você usa http://andrenoel.blogosfera.uol.com.br/2020/06/06/seu-preconceito-nao-interfere-no-codigo-fonte-do-programa-que-voce-usa/ http://andrenoel.blogosfera.uol.com.br/2020/06/06/seu-preconceito-nao-interfere-no-codigo-fonte-do-programa-que-voce-usa/#respond Sat, 06 Jun 2020 07:04:37 +0000 http://andrenoel.blogosfera.uol.com.br/?p=340

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Mulheres escreveram os primeiros códigos de programação. Mulheres programavam o primeiro computador eletrônico. Alan Turing, o pai da computação, era homossexual. Dorothy Vaughan era mulher e negra e comandava uma equipe de mulheres negras da Nasa que foram pioneiras para a programação. Se tem uma área que deveria ser o exemplo para extinguir o preconceito de uma vez por todas, é a nossa área. São as nossas atitudes que podem mudar isso.

Como bônus, queria deixar um vídeo que gravei essa semana:

 

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Você está preparado para o “novo normal”? Tecnologia pode ser aliada http://andrenoel.blogosfera.uol.com.br/2020/05/30/voce-esta-preparado-para-o-novo-normal-tecnologia-pode-ser-aliada/ http://andrenoel.blogosfera.uol.com.br/2020/05/30/voce-esta-preparado-para-o-novo-normal-tecnologia-pode-ser-aliada/#respond Sat, 30 May 2020 07:04:53 +0000 http://andrenoel.blogosfera.uol.com.br/?p=335

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Uma pergunta recorrente em tempos de pandemia tem sido: “E depois?”

Às vezes a gente responde, até como uma forma de brincar com a situação, “mas vai ter um depois?”

É lógico que para se pensar em um “depois” é preciso pensar em um “agora”, senão realmente não teremos um “depois” (ou pelo menos um “depois” minimamente previsto ou desejado). Mas eu já falei algumas vezes aqui sobre o agora e não quero ficar (muito) repetitivo. Temos muitas ações que podemos e devemos tomar agora, mas nesse texto quero falar sobre o depois.

Já me perguntaram sobre como eu acho que vai ficar o trabalho das empresas de T.I. depois da pandemia, como ficarão os eventos em geral depois da pandemia e também sobre como as demais áreas, que estão precisando usar a tecnologia agora para se manter, vão ficar depois.

A resposta curta e sem medo de errar: Eu não sei. Mas vou dizer o que eu espero ou o que eu percebo que pode se formar.

Li um artigo (mas eu me esqueci de anotar qual era) que dizia que nós fomos forçados a avançar cinco anos nas tecnologias e no home office da noite para o dia. Já falei aqui que não é exatamente um home office em condições normais, mas não vem ao caso agora. Ou seja, a tecnologia iria avançar, muita coisa iria para home office naturalmente, mas nós tivemos que correr com isso e aplicar bem ou mal aplicado.

Assim, restaurantes que já estavam em aplicativos aumentaram seu uso, restaurantes que não estavam tiveram que correr e se cadastrar. Os contatos comerciais via WhatsApp cresceram ainda mais, apresentando produtos, fechando vendas, fazendo muitas vezes o papel da visita para conhecer os produtos ou mesmo “dar só uma olhadinha”. As reuniões, que muitas vezes não poderiam ser online por opinião de um ou de outro, se tornaram online em todas as esferas e todas as empresas. É comum ver pessoas brincando ou reclamando por estar participando de reuniões online o tempo todo.

E como tudo isso vai ficar depois?

Em primeiro lugar, há uma ansiedade muito grande para voltar a um “normal”, ainda que não seja o mesmo “normal” que existia antes. As pessoas querem voltar a “bater pernas” no shopping, sentar numa lanchonete para passar o tempo, perder o dia na fila do banco (bom, quanto a isso tenho dúvidas). Então teremos, em parte, o esvaziamento das redes de comunicações por retornar ao contato presencial e tudo mais.

Por outro lado, muitas barreiras em relação às tecnologias foram quebradas e muita coisa se percebeu que podem ser feitas à distância, como reuniões, ensino e desenvolvimento. As empresas que souberam aplicar bem e viram vantagens devem manter o “online” para diversos processos, enquanto as empresas que aplicaram mal aplicado, apenas porque não havia outra saída, talvez retornem ao que faziam antes, culpando a tecnologia por um mal desempenho e baixa produtividade.

Se depois de tudo isso pudermos aprender que com a tecnologia nós pudemos aumentar o alcance da nossa rede para ajudar uns aos outros e pudermos reduzir burocracias e papel, já será um grande ganho. Se criarmos o hábito de usar a tecnologia para continuar favorecendo os pequenos comércios e pequenos empresários, que não possuem investimentos ou incentivos para se modernizar, mas que podem usar tecnologias simples para vender, será um bom resultado.

Vamos guardar o que é bom e usar a tecnologia para todos crescermos juntos! 🙂

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Programação: veja por que esta é uma área profissional com nome ingrato http://andrenoel.blogosfera.uol.com.br/2020/05/25/programacao-veja-por-que-esta-e-uma-area-profissional-com-nome-ingrato/ http://andrenoel.blogosfera.uol.com.br/2020/05/25/programacao-veja-por-que-esta-e-uma-area-profissional-com-nome-ingrato/#respond Mon, 25 May 2020 07:00:04 +0000 http://andrenoel.blogosfera.uol.com.br/?p=329

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Que programador nunca ouviu a supercriativa pergunta: “Você faz programas?” Tanto que até a gente mesmo faz piada disso antes que outro o faça.

Mas também, programadores são chamados para “programar” um ar condicionado, “programar” uma TV, até alguns aqui já passaram pela experiência de “programar video-cassetes”.

E esse problema da tirinha abaixo?

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Especialistas em tudo acabam sendo especialistas em nada http://andrenoel.blogosfera.uol.com.br/2020/05/16/especialistas-em-tudo-acabam-sendo-especialistas-em-nada/ http://andrenoel.blogosfera.uol.com.br/2020/05/16/especialistas-em-tudo-acabam-sendo-especialistas-em-nada/#respond Sat, 16 May 2020 07:04:46 +0000 http://andrenoel.blogosfera.uol.com.br/?p=322

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Nunca se teve tanta facilidade para adquirir conhecimento como nos dias de hoje. Existem muitas plataformas gratuitas ou pagas com imensidão de conhecimento nas mais diversas áreas. Você não precisa sair de casa para aprender, por exemplo, em cursos das melhores universidades do mundo.

Em contraponto, nunca houve tanta pressa. Pressa para tudo. Quem nunca comprou ou se inscreveu em cursos, mas não chegou a terminar (ou até mesmo começar) porque ia demorar muito ou então porque já estava correndo com outras coisas da vida.

Tem um filme interessante de comédia chamado “Os Estagiários” que retrata dois adultos entre seus 40 e tantos anos passando por um processo de seleção da Google, competindo contra pessoas de 15 a 25 anos. Sim, o filme tem os seus exageros, mas é ótimo para passar o tempo.

Algo muito interessante retratado ali é a angústia de pessoas que chegaram aos seus 20 ou 25 anos de idade e que ainda não foram bem sucedidas na vida. A nossa área vende uma ilusão de que você tem que aprender tudo e saber tudo até seus 25 anos, senão você está de fora. Basta ver uma revista conhecida brasileira que há pouco tempo estampou em sua capa que programadores são pessoas “de 25 anos” bem sucedidas no trabalho.

Como já comentei aqui em outros textos, eu sou professor. Tenho dado aula para as novas gerações que estão entrando na área de T.I. e que sofrem também com a ansiedade. Várias vezes vejo a ansiedade em perguntas sobre o que deveriam aprender antes de entrar na faculdade, que cursos deveriam fazer em paralelo à universidade, quantas linguagens deveriam aprender, quantas das tecnologias “top” devem saber… O apelo e a pressão é cada vez maior.

Algo que tento sempre ensinar é: Vá com calma! Um passo de cada vez! Respeite o seu tempo, se você aprende rápido, multitarefa, tudo bem. Se você aprende devagar, uma coisa de cada vez, tudo bem também. Ninguém nunca vai saber tudo na T.I., é impossível. Nossa área cresce num ritmo exponencial, você não tem como dominar diferentes áreas. Você pode saber a respeito de diferentes áreas, mas não vai dominar todas elas.

A tirinha acima veio de um diálogo onde eu estava envolvido. A empresa havia contratado uma pessoa que se dizia especialista em todas as linguagens de programação (sério) e os chefes acreditaram (sério)… Tem um velho ditado de onde eu venho que diz que “só existe uma forma de você saber programar em 20 linguagens de programação, é só você não ser realmente bom em nenhuma delas”.

Você vai se especializando em algo em sua carreira. Às vezes você escolhe, mas em muitas das vezes você é conduzido até uma determinada área onde vai se especializar. Isso é bom, isso envolve experiência além do estudo. Você estuda a respeito de algo e aprende até um determinado ponto, mas se torna bom apenas com a prática e a repetição. Aqui se encaixaria bem uma metáfora de esportes para falar de treinamento, mas vamos confessar que nem eu nem você somos tão bons em esportes… 😉

Portanto, não existem especialistas que são especialistas em tudo. A própria palavra “especialista” já demonstra uma especificação de conhecimento em algo, você foca e aprende bem uma certa coisa, mesmo que seja um assunto pequeno.

Eu vi uma tirinha da Mafalda, uma vez, mas eu não a encontrei para postar aqui, onde ela está falando com o amigo. Acho que é o amigo quem está contando algo mais ou menos assim: “Meu tio fez a graduação em história, depois fez mestrado em história do Brasil, depois fez o doutorado em história da Guerra de Canudos.” Então ela disse algo como: “Então, quanto mais ele estudava, menos ele sabia?”

É essa a ideia. Saiba um pouco sobre muitas coisas e saiba muito sobre algumas. Se especialize na sua área, se destaque e seja feliz. (E não acredite em quem se diz especialista em tudo)

E não esqueçam o álcool gel.

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