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Quantas vezes você já surtou nessa quarentena?

Andre Noel

08/08/2020 04h00

Freepik.

Essa semana eu desabafei o seguinte, no twitter:

Pelos meus posts anteriores aqui, quem me lê sabe que eu gosto de ficar em casa e gosto de trabalhar de casa. Para mim, a quarentena é puxada, mas não achei que seria tão desafiadora. Eu já contava com uma baixa na produtividade, mas uma imagem que vi logo no começo da quarentena me ajudou a introjetar uma noção de não me cobrar tanto nisso. Não sei o autor da foto, mas traduzi em uma tradução livre:

Ver essa foto no Instagram

 

"Você só é improdutivo pelos padrões do mundo em que vivemos dois meses atrás. Aquele mundo não existe mais"

Uma publicação compartilhada por Andre Noel (@programadorreal) em

No fim das contas, boa parte da demanda aumentou. As aulas, que já eram a distância, passaram a ser totalmente produzidas em casa (preparação, gravação, edição, publicação, lives); a produção de conteúdo no Vida de Programador começou até que bem, mas acabou ficando comprometida. Mas o que aumentou bastante foram as demandas de casa.

Quando as pessoas (inclusive eu) falam "fique em casa", nem sempre a gente percebe que implícito a isso também está um "cuide da casa", ela tende a virar um caos muito mais rápido quando todos estão dentro dela o tempo todo. Além disso, está subentendido também um "cuide das pessoas da casa", principalmente daqueles modelos menorzinhos ou dos mais experientes.

Estamos completando 141 dias confinados. Não sei quanto tempo ficam os participantes de um Big Brother, mas estamos sempre aqui fazendo a prova da resistência. Não fiquei esses 141 dias sem sair de casa, até porque não pude. Tive que resolver algumas coisas fora e também estamos fazendo uma quarentena em duas casas ao mesmo tempo, dando suporte para a minha sogra no que ela precisa.

Resumindo, estamos (eu e minha esposa) passando a maior parte do tempo confinados com mais quatro crianças, uma idosa, uma adolescente e seis cachorros. Sim, o tempo todo tem demanda por todos os lados. Além disso, eu e minha esposa seguimos trabalhando de forma remota e dando conta de gravações, edições, fraldas, choros e comida (comida o tempo todo também (e não só eu)).

Mas estamos sobrevivendo bem! Apesar de alguns surtos (acho que todo mundo aqui já surtou vez ou outra), apesar de dormir ainda menos que o normal, estamos conseguindo levar e produzir, mas não da mesma forma. Nos últimos tempos reduzi as tirinhas e os vídeos, por outro lado consegui finalmente começar o podcast que vinha planejando há muito tempo e também tenho feito lives no YouTube semanalmente. Além disso, pude participar, palestrar e até organizar eventos online; até mesmo ministrei duas palestras em inglês, coisa que eu nunca tinha feito na vida.

Então, de loucura em loucura, de surto em surto, estamos conseguindo ao máximo ficar em casa, estamos fazendo todo esforço para nos cuidar e também para não virarmos um pequeno foco para os outros. A vacina está cada vez mais próxima, a esperança de melhorar está aumentando, falta cada vez menos tempo. Se segure o máximo que puder também, porque a situação pede. No final do confinamento, o prêmio vai ser muito melhor do que o de reality shows.

Continue em casa, se puder. 🙂

* Aos que não podem ficar em casa, aos que estão na linha de frente nas áreas de saúde, àqueles que preparam os alimentos ou nos ajudam em comércio que precisamos, meu infinito agradecimento a vocês. Quem pode ficar em casa, fique, porque também é uma forma de proteger quem precisa estar fora, diminuindo o contágio para quem está mais em contato com os outros. Logo vai passar. 🙂

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Sobre o Autor

Andre Noel é programador, webcartunista, autor do Vida de Programador, professor universitário (UEM e Unicesumar), youtuber e sabe pregar botões em roupas.

Sobre o Blog

Quem é de TI sempre recebe pedidos para criar "só um sisteminha simples". A gente sabe que nunca é simples. Por isso, aqui no blog vamos falar sobre o grande universo de TI --que às vezes é engraçado, às vezes é sofrido e muitas vezes é tudo isso.