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Conheça 5 erros comuns ao tentar contratar bons programadores

Andre Noel

07/12/2019 04h04

Reprodução/ Pinterest

Uma amiga que não é programadora (é uma pessoa, assim, mais normal) me perguntou uma vez sobre como alcançar programadores, como recrutar falando a mesma linguagem, porque ela sentia dificuldade em contratar programadores.

Realmente, quando vemos algumas vagas de empregos voltadas para programadores encontramos alguns bons equívocos, onde é fácil perceber que quem montou a descrição da vaga não entende o que é ou o que faz um programador, o que acaba criando perfis imaginários e até impossíveis de serem alcançados por alguns candidatos.

Pensando nisso, resolvi listar alguns erros comuns ao contratar programadores, que pode ser aplicado até a outras áreas. Segue abaixo:

1. Não abuse de termos da computação se você não entende o que é

É comum ver vagas de empregos abusando de "informatiquês" para parecer mais descolado e atrair programadores, mas o que você escreve pode se tornar também um tiro no pé se estiver errado. Quando a gente aprende programação, aprende a afinar o olho para encontrar erros (um ponto-e-vírgula, um sinal, etc.), por isso uma divulgação voltada para programadores que possui um erro assim vai ser rapidamente percebida e o efeito pode ser o contrário.

Não é exatamente a respeito de contratações, mas uma vez escrevi sobre erros que a equipe de marketing comete ao tentar entender a programação por trás do dia do programador. São peças que foram ao ar, foram divulgadas, mas com erros.

2. Programadores são geeks, mas não são crianças

Mais uma vez, na intenção de ser "descolado", um recrutamento pode ser visto como algo tonto e que não oferece uma vaga séria para um programador, o que pode afastar programadores que estejam interessados em fincar o pé em uma boa oportunidade e que queiram uma boa expectativa de futuro. A tirinha abaixo ilustra essa ideia.

Vida de Programador

Claro que um pouco de humor sempre é bom (e eu gosto), mas tem algumas vagas de emprego que são difíceis de decifrar o que se espera de um programador ou com quais tecnologias ele vai trabalhar. Tenha um equilíbrio na divulgação para não ficar apenas no "oba oba".

3. Programadores não precisam só de fliperama e café

De uns tempos pra cá se popularizou o "estilo Google" de empresas, onde há a ideia de incluir espaços de lazer, jogos, cafeterias e outras coisas assim. Isso é legal, é algo que pode ajudar bastante na saúde mental ao proporcionar uma "descompressão", mas não é o mais importante para chamar a atenção de candidatos.

Ao analisar a vaga, é necessário um conjunto completo, é preciso um bom ambiente de trabalho e também uma remuneração de acordo, para que o programador possa realmente se sentir "descomprimido" naquele momento onde chegam os boletos. É preciso proporcionar conforto no trabalho, mas também proporcionar o conforto de saber que ele vai poder ir para a sua casa curtir a sua cama ao invés de ter que passar noites em horas extras que caem em buracos negros apelidados de bancos de horas.

Uma vez visitei uma empresa que se orgulhava de ter fliperama para os programadores brincarem. Eu disse: "Ah, que legal! Então eles podem dar uma pausa para desestressar quando o problema aperta?" A resposta me surpreendeu: "Sim, eles podem jogar no tempo de almoço se eles ficarem por aqui. Ah, e nós colocamos os próprios programadores para montar o fliperama fora do horário de trabalho".

4. Programadores gostam de desafios, não de gincanas

Já vi muitos casos de bons programadores se sentirem desanimados e irem murchando em empresas onde não havia espaços para desafios ou para crescer na carreira. Estamos em uma área desafiadora de constante aprendizado. Programadores gostam de desafios. Mas isso, às vezes, é visto como "programadores gostam de joguinhos de lógica". Tá bom, isso também é verdade. Mas é outra coisa que afasta alguns bons programadores na hora de contratar. Algumas empresas acabam errando a mão, exagerando em joguinhos e desafios que voltam àquela ideia de trazer mais programadores que tem mais tempo livre para resolver charadas do que programadores com experiência.

Nada contra criar desafios de programação ou de criar hackathons (quando são sérios), mas uma verdade do nosso mercado de trabalho é que há muito espaço para programadores, por isso muitos dos bons programadores já estão empregados (mesmo que estejam procurando outras oportunidades). Às vezes um bom profissional não se dedica aos seus inúmeros desafios pelo fato de não ter tanto tempo disponível para isso, o que não é um desinteresse direto pela sua empresa.

5. Nenhum programador sabe tudo sobre tudo

Uma das coisas mais comuns de encontrar em vagas de empregos para programadores é uma vaga onde parece que na área de conhecimentos e habilidades o recrutador apenas clicou em "Selecionar tudo". O programador precisa saber ASP, Assembly, C/C++, C#, Delphi, Fortran, Java, JavaScript, Lisp, Pascal, PHP, Prolog, Python, etc. Nenhum programador sabe tudo sobre tudo.

Muitas vezes a gente se força a aprender um pouco sobre cada coisa, mas todo programador tem que se especializar em algo, em alguma área. Lembro de uma vez compartilharem no Twitter uma vaga que pedia um tempo de experiência em JavaScript que era maior do que o tempo de vida da linguagem.

Em uma empresa onde trabalhei, contrataram um rapaz que "sabia tudo sobre tudo" (tirinha abaixo). O resultado foi que em pouco tempo deu para perceber que ele sabia se vender e contar histórias, mas realmente não sabia a maioria dos assuntos.

Vida de Programador

Ou ainda tem a história sobre dois programadores conversando:

– Eu sei programar em 20 linguagens de programação diferentes!

– Nossa, como você faz para saber programar em tantas linguagens?

– É fácil: Eu não sei muito bem nenhuma delas.

Então, você nunca vai achar o ser completo que sabe todos aqueles itens que você pediu na vaga de emprego. Por que não colocar o que realmente importa para não espantar alguns programadores sinceros que não querem falar que sabem algo que realmente não sabem?

Para finalizar, seja sincero na descrição, tente colocar alguém que entende da área para filtrar as informações. Seja legal num nível que não chegue a ser o "tiozão do pavê" e não cobre tudo do seu candidato. Bons programadores tendem a ter a mente aberta a aprender, você identifica alguém com o perfil e investe para que ele aprenda a usar as tecnologias de sua empresa.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Sobre o Autor

Andre Noel é programador, webcartunista, autor do Vida de Programador, professor universitário (UEM e Unicesumar), youtuber e sabe pregar botões em roupas.

Sobre o Blog

Quem é de TI sempre recebe pedidos para criar "só um sisteminha simples". A gente sabe que nunca é simples. Por isso, aqui no blog vamos falar sobre o grande universo de TI --que às vezes é engraçado, às vezes é sofrido e muitas vezes é tudo isso.